Mia e eu.

eu e miaAchava, conforme a fila para o autográfo, que metade daquelas pessoas dentro daquele teatro não mereciam estar ali. Ter um escritor liríco, desses, como ele mesmo se descreve, um poeta que escreve prosa e um bando de gente fazendo perguntas sem o sentido e nem remotamente ligada à literatura. Parou para pensar se em Moçambique. Achava que ele deveria se dirigir a pessoas como ela, que não haviam perdido a inquietação de vida, que não tinha medo de ser, nem de usar as máscaras. Pessoas como ela e ele, pensava se ele não a reconheceria pelo olhar.

Cada vez que chegava mais perto, um milhão de pensamentos passavam à sua cabeça. O quanto seu trabalho ficaria enriquecido, o quanto lhe parecia bobo não passar por nada mais que uma tiete adolescente, quantas coisas lhe queria dizer e sabia que não teria coragem.

Um milhão de anotações. Um milhão de aspas, mar, rio, palavras palavras palavras.

Saiu em êxtase literário, com muito mais do que imaginara, do que sonhara.

Obrigada, Mia Couto.

~ por M. em Julho 4, 2009.

Deixe uma resposta